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A fundação
No começo do século XIX, o Vale do Paranapanema, ainda uma inóspita região, passou a ser visto como um dos caminhos em direção ao Paraguai, parte da chamada Estrada do Peabiru, principal rota leste-oeste na penetração do continente. 
Essa rota serviu de estímulo para se adentrar na região, a fim de se estabelecerem núcleos de povoamento. Conhecida como “boca do sertão”, a região atraiu aventureiros, viajantes e caçadores de índios, os quais paulatinamente vasculharam as terras habitadas pelos índios caiuás. 
 
Descendentes dos grupos dos tupis do Sul, os caiuás eram os mais numerosos na região e ocupavam maior extensão dentro do Vale do Paranapanema. Embora fossem os habitantes nativos das antigas terras de Avaré, eles foram paulatinamente eliminados pelos posseiros José Theodoro de Souza e Tito Corrêa de Mello.
Convidados por Tito, parentes e amigos tomaram posse dessas glebas em meados dos século XIX. Na primeira comitiva vieram os tropeiros Vitoriano de Souza Rocha e Domiciano José de Santana, procedentes da Serra da Mantiqueira, na divisa entre Minas Gerais e São Paulo. 
Logo depois, atraídos pela possibilidade de obter amplas colheitas com terras de boa qualidade e água em abundância, vieram para o vale outras famílias lideradas pelos posseiros José Antônio do Amaral, Generoso Teixeira, Antônio Bento Alves, Jacinto Gomes de Morais, Dionísio José Franco, Francelino de Melo e João Antônio de Souza.
A maior riqueza era a fertilidade da terra, garantida pela irrigação do Vale do Paranapanema. 
 
 
Um cruzeiro antes da capela
Chamada de Patrimônio de Nossa Senhora das Dores do Rio Novo nos seus primórdios, Avaré viu as primeiras manifestações religiosas em meados do século XIX, segundo os relatos do cronista Jango Pires, o primeiro historiador avareense. Segundo ele, no ano de 1862, uma cruz, coberta com taquara e folha de indaiá, foi levantada no meio da atual Praça Juca Novaes.
O povoado do Rio Novo surgiu, à luz da fé cristã, ao redor de uma capela votiva, fruto da devoção de um sertanista a Nossa Senhora das Dores. O fato ganhou versões e foi romantizado a ponto de algumas lendas dificultarem, hoje, a compreensão clara da sua formação histórica. 
 
 
Jango Pires anota ter sido construída, em 1864, a então Capela do Major, “de pau-a-pique, barrotes e barreada, coberta de telha vã”, no local onde fica hoje exatamente a entrada principal ou porta da frente do Santuário de Nossa Senhora das Dores. A capela media 60 palmos em quadra, ou seja, cerca de 17 metros quadrados. Foi essa a primeira igreja do lugar. 
Em 1867, uma junta administrativa foi nomeada pelo vigário de Botucatu para cuidar dos bens da Capela de Nossa Senhora das Dores. Compuseram-na três influentes personalidades: Manoel Marcellino de Souza Franco, o primeiro professor do povoado, mais conhecido pelo apelido de Maneco Dionísio, e os imigrantes José Magaldi e Antônio Bento Alves. 
A 13 de janeiro de 1869, com a instauração do processo canônico para a constituição definitiva do Patrimônio de Nossa Senhora das Dores na Câmara Eclesiástica de São Paulo, o major Vitoriano e demais doadores foram intimados a prestar depoimentos de praxe a respeito da doação das glebas de terras que originariam a futura cidade. 
 
 
 
Conforme era costume no padroado, regime de união entre a Igreja e o Estado, a Lei Provincial nº- 63, publicada a 7 de abril de 1870, transformou o Distrito Policial do Rio Novo em Freguesia Civil ou Distrito de Paz. Cinco anos depois, a 7 de julho de 1875, a Assembleia Provincial aprovou o projeto de lei que criou a Vila do Rio Novo, desmembrando suas terras do município de Botucatu e lhe dando autonomia política e administrativa. No ano seguinte, a 27 de março, houve a cerimônia de posse da primeira Câmara de Vereadores, cuja mesa foi presidida pelo major Francisco Theobaldo Pinto de Melo. 
 
Origem do nome Avaré
 
Na entrada da sertania passava um rio, ao qual os índios caiuás chamavam Abaré-i (rio do homem solitário ou da sentinela, segundo alguns; ou do padre ou monge, conforme interpretação de outros). 
 
Com efeito, o nome Avaré é uma deturpação lingüística de abiré, que em língua indígena significa “solitário”, nome atribuído a um monte de 625 metros de altitude que se avista entre o Rio dos Veados e o Ribeirão Tamanduá, no vizinho município de Itatinga, antigo distrito do Rio Novo, onde se situava a velha Fazenda Avaré.
 
Conflitos
 
Um fato que contribuiu decisivamente para o desenvolvimento da região foi a chegada dos republicanos às terras da Vila do Rio Novo. 
Caçados como traidores pela monarquia, eles fugiam para os sertões e tentavam reconstruir a própria vida, disseminando seus valores contra o império e contra a escravidão.
 
Um desses republicanos foi Eduardo Lopes de Oliveira, coronel da Guarda Nacional e seguidor do padre Feijó, que havia sido preso em Sorocaba, em 1842. Instalou-se na região por volta de 1843, com seus seguidores, numa propriedade denominada Fazenda Avaré, também conhecida como Fazenda Velha ou Fazenda dos Lopes.
 
Tomou posse, na região onde hoje é a cidade de Itatinga, nos vales dos rios Santo Inácio e dos Veados, de uma fazenda que denominou Avaré, palavra da língua tupi-guarani que significa solitário.
Firme em suas idéias republicanas, em 1891, após a Proclamação da República, ele foi escolhido o primeiro intendente, cargo equivalente ao de prefeito hoje, já que durante a monarquia era o presidente da Câmara que exercia as funções administrativas.
Foi por solicitação do coronel Eduardo Lopes que Rio Novo se tornou cidade, tendo o nome trocado para Avaré. A mudança tem vários significados. Por um lado, marca a vitória dos republicanos sobre os monarquistas. Além disso, ao dar o nome de sua fazenda ao município, o coronel mostrou a abrangência de seu poder. 
Lopes também influenciou na criação do município de Itatinga, separando-o de Avaré. Aliás, foi justamente em sua fazenda, localizada em Itatinga, que ele faleceu, em 1923. 
 
Ficaram famosos os conflitos políticos entre o republicano Eduardo Lopes e a matriarca mineira Bárbara Fé do Nascimento, prima de Domitila de Castro Canto e Mello, a Marquesa de Santos, amante do imperador d. Pedro I. 
Chamada de “Mandona”, proprietária de numerosos escravos e animais, possuía terras que se estendiam pelas duas margens do Paranapanema, desde o Rio dos Vea¬dos até as terras do “Alto da Serra”, o chamado espigão de Avaré. Bárbara tinha tanto poder que, quando houve um surto de tifo na cidade, o próprio ministro da Saúde esteve no Rio Novo a fim de comandar os trabalhos para debelar o mal.
O confronto político entre os republicanos liderados pelo coronel e os monarquistas, com Bárbara à frente, durou aproximadamente três décadas. 
 
 
O desenvolvimento
 
Na segunda metade do século XIX, diversos fatores contribuíram para o desenvolvimento de Avaré. Um deles foi a Lei de Terras, de 1850, pela qual o governo imperial suspendia as doações de terras dadas pelos governadores-gerais. Desse modo, as terras tinham de ser compradas e vendidas, abrindo oportunidades para a dinamização da economia.
Além disso, com a abolição da escravatura, em 1888, e o incentivo à imigração, Avaré ganhou novas dimensões econômicas e sociais. Chegaram à cidade centenas de famílias italianas, com trabalhadores que iriam substituir a mão-de-obra negra nas lavouras de cana-de-açúcar, algodão e café.
Além de agricultores, a imigração permitiu a entrada no País de artesãos de talento e de outros profissionais, que expandiram sua capacidade e implantaram, com êxito, a urbanização de Avaré. A chegada de imigrantes portugueses, espanhóis, armênios, sírio-libaneses e, por último, japoneses consolidou o crescimento da cidade.
 
 
Um nome importante nesse processo é o do alferes Manoel Marcellino de Souza Franco, o Maneco Dionísio. Negava-se a chamar a cidade de Avaré, preferindo o nome antigo de Rio Novo por causa de seus ideais monarquistas. Seu principal mérito foi ter desenvolvido uma persuasiva campanha nas páginas do periódico O Rio-Novense para que a Estrada de Ferro Sorocabana alterasse seu trajeto inicialmente previsto e passasse pela cidade.
 
O coronelismo
 
Sistema de dominação política de caráter patriarcal baseado no poder local de grandes proprietários rurais, o coronelismo é um dado forte em Avaré. A patente “coronel” surgiu em 1831, com a criação da Guarda Nacional, e era atribuída como título honorífico aos fazendeiros mais ricos e influentes.
Embora tenha começado no Império, o sistema do coronelismo atingiu seu apogeu na Primeira República, de 1889 a 1930, quando os governos estadual e federal se apoiavam nas oligarquias regio¬nais dos coronéis, que dominavam as terras e os votos dos trabalhadores que nelas atuavam, fosse como agregados, meeiros ou colonos.
Como a agricultura sempre foi um ponto forte da economia de Avaré, os coronéis tiveram, ao lado dos trabalhadores imigrantes, um papel essencial no desenvolvimento da cidade. 
Na Primeira República, conhecida como a época do “café-com-leite”, produtos, respectivamente ligados aos Estados de São Paulo e Minas, que se alternavam no poder, os coronéis Edmundo Trench e João Baptista da Cruz predominaram na cidade.
Trench contabilizou construções importantes, como o Mercado Municipal e o primeiro grupo escolar.  João Cruz, por sua vez, destacou-se, no primeiro quarto do século XX, por ter sido figura fundamental durante a construção da igreja matriz de Nossa Senhora das Dores.
 
 
 
Ciclos econômicos: café, algodão, cavalo e turismo
 
No seu desenvolvimento, Avaré passou por vários e importantes ciclos. O café inaugurou a época das grandes fazendas, com seu imenso tecido branco estendendo-se pelos campos verdes, participando ativamente na economia do Estado e refletindo-se na economia nacional. Ainda hoje algumas fazendas antigas conservam os grandes terreiros de ontem, testemunhas de uma época áurea.
 
Foi no período do Estado Novo, de 1937 a 1945, em que o gaúcho Getúlio Vargas exerceu o poder de modo ditatorial, que Avaré viveu o apogeu de sua cotonicultura, ficando célebre como a Capital do Ouro Branco, devido a sucessivas quebras de recordes na produção de algodão. 
No chamado ciclo do algodão, Avaré projetou-se no cenário nacional das décadas de 1930 e 1940. Carroças e caminhões, na época, transitavam pela cidade a fim de, em alguma máquina de beneficiamento, descarregar a pluma branca; corria dinheiro, havia muitas máquinas de extração de óleo, como a Anderson Clayton, cuja chaminé ao lado de galpões de outras indústrias é lembrança desse ciclo.
 
A partir dos anos 1960 alguns fazendeiros novos na região introduziram o gado, que representou grande expansão econômica na região, e Avaré postou-se como pioneira, incentivando a melhoria dos plantéis e avivando o interesse de produtores. A partir de então, grandes haras foram instalados na cidade e a paisagem passou a contar com garbosos cavalos e elegantes cavaleiros.
 
Nos anos 1970 e 1980 o município começou a descobrir sua vocação para o turismo. Uma forte demonstração disso foi a expansão imobiliária ocorrida às margens da Represa de Jurumirim, comparada a um grande mar de água doce em pleno interior. No local, além da abertura de vários hotéis, a prefeitura implantou o Camping Municipal para oferecer boas condições para lazer e recreação em meio à natureza exuberante.
Chamada publicitariamente de “Terra do Verde, da Água e do Sol”, Avaré ganhou esse nome por conta de seus cenários urbano e rural, ricos de densa vegetação. E também devido ao imenso volume de água que banha seu território. Outro fator decisivo para o título é a paisagem que mais encanta seus visitantes: a contemplação da beleza do pôr-do-sol, a partir da ponte sobre o Rio Paranapanema.
 
Em 21 de junho de 2002, após aprovação da Assembléia Legislativa, o governador Geraldo Alckmin sancionou a Lei Estadual nº 11.162, que fez de Avaré oficialmente uma Estância Turística. 
Desde então, Avaré divulga  os seus inúmeros atrativos naturais e o variado roteiro de pontos históricos, artísticos e religiosos para se fixar como referência no circuito turístico nacional.
 

 

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